A PARTICIPAÇÃO FEMININA NA
REVOLUÇÃO DE 30
A
imagem de Anayde Beiriz foi associada por vários tipos de discursos a chamada
Revolução de 30, colaborando assim para a construção de uma imagem que a liga diretamente as lutas de tal movimento. A
formação dessa mulher como a figura de representatividade feminina na
construção da memória sobre a Revolução de 30 foi reafirmada através, da musica,
da indústria cinematográfica e da literatura, trazem a tona e ligam a vida
ousada, aventureira e passional de Anayde juntamente com as implicações e desfechos dos
acontecimentos de 1930 na Paraíba. Fazendo dela uma referencia revolucionária
feminina, construída, especialmente como contestadora aos padrões de
comportamento da mulher, ligando-a diretamente com essa ideia de “desvio” da conduta moral da época associando-a
com o modelo de mulher guerreira, revolucionária, viril que defende seus interesses,
e se expõe no espaço público. A mulher que se faz em meio a um cenário de
paixões e de disputas políticas e de poderes.
Sendo
a Paraíba um estado que participou ativamente do movimento e embates políticos
de 1930, as histórias de João Dantas, Anayde Beiriz, e de João Pessoa, ligam-se
no momento em que as indiferenças políticas de João Dantas e João Pessoa,
relacionaram também o nome de Anayde à historia construída desse movimento, entre
os desdobramentos implementados à partir dos acontecimentos que se fizeram em
torno do acerto de contas entre João Dantas e João Pessoa, tendo como desfecho
o assassinato do então presidente paraibano.
Anayde Beiriz. Fonte: http://movimentovidaplena.blogspot.com.br/2012/06/anayde-beiriz-paraiba-masculina.html
A
música, filmes, e literaturas vão reafirmando e atualizando a memória da
revolução de 1930 na Paraíba a partir desses olhares, um jogo de forças que
farão com que os acontecimentos políticos do Estado e as personalidades ligadas
aos eventos que marcaram a República Velha, ou a também chamada República dos
coronéis, se destaquem como a versão mais exaltada dessa história. No entanto, outras mulheres paraibanas, ou
sujeitos femininos, participaram como construtores de elementos de fala. Especialmente escritoras, que atrelaram a
construção de seus discursos femininos uma relação com a imagem identitária do
Estado.
A
autora Abrantes (2010) destaca como a imagem da “Paraíba masculina, mulher-
macho, sim senhor” reforçou a ideia da participação e do apoio feminino ao
presidente João Pessoa, antes e depois de sua morte. A formulação de discurso
cheio de polissemias discursivas lançando símbolos sobre as mulheres paraibanas.
Podemos citar a militante Analice Caldas uma das fundadoras da Associação para o
progresso feminino na Paraíba. Essas mulheres saiam às ruas em defesa da
Aliança Liberal, seus discursos exaltavam o ideário de autonomia e
combatividade do movimento que é fortalecido com a presença feminina,
reaparecendo a imagem da mulher guerreira, viril e forte, na defesa de sua
terra.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ABRANTES, Alômia da Silva. Paraíba, mulher-macho: Tessituras de gênero, (desa)fios da História
(Paraíba, século XX). Recife: Tese apresentada ao curso de pós- graduação
da Universidade Federal de Pernambuco, 2008.
ABRANTES, Alômia. NETO, Martinho Guedes dos Santos. Outras histórias: cultura e poder na
Paraíba (1889-1930). João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2010.

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