quarta-feira, 3 de outubro de 2012



A PARTICIPAÇÃO FEMININA NA

 REVOLUÇÃO DE 30





A imagem de Anayde Beiriz foi associada por vários tipos de discursos a chamada Revolução de 30, colaborando assim para a construção de uma imagem que a  liga diretamente as lutas de tal movimento. A formação dessa mulher como a figura de representatividade feminina na construção da memória sobre a Revolução de 30 foi reafirmada através, da musica, da indústria cinematográfica e da literatura, trazem a tona e ligam a vida ousada, aventureira e passional de  Anayde  juntamente com as implicações e desfechos dos acontecimentos de 1930 na Paraíba. Fazendo dela uma referencia revolucionária feminina, construída, especialmente como contestadora aos padrões de comportamento da mulher, ligando-a diretamente com essa ideia de  “desvio” da conduta moral da época associando-a com o modelo de mulher guerreira, revolucionária, viril que defende seus interesses, e se expõe no espaço público. A mulher que se faz em meio a um cenário de paixões e de disputas políticas e de poderes.
Sendo a Paraíba um estado que participou ativamente do movimento e embates políticos de 1930, as histórias de João Dantas, Anayde Beiriz, e de João Pessoa, ligam-se no momento em que as indiferenças políticas de João Dantas e João Pessoa, relacionaram também o nome de Anayde à historia construída desse movimento, entre os desdobramentos implementados à partir dos acontecimentos que se fizeram em torno do acerto de contas entre João Dantas e João Pessoa, tendo como desfecho o assassinato do então presidente paraibano.





A música, filmes, e literaturas vão reafirmando e atualizando a memória da revolução de 1930 na Paraíba a partir desses olhares, um jogo de forças que farão com que os acontecimentos políticos do Estado e as personalidades ligadas aos eventos que marcaram a República Velha, ou a também chamada República dos coronéis, se destaquem como a versão mais exaltada dessa história.  No entanto, outras mulheres paraibanas, ou sujeitos femininos, participaram como construtores de elementos de fala.  Especialmente escritoras, que atrelaram a construção de seus discursos femininos uma relação com a imagem identitária do Estado.
A autora Abrantes (2010) destaca como a imagem da “Paraíba masculina, mulher- macho, sim senhor” reforçou a ideia da participação e do apoio feminino ao presidente João Pessoa, antes e depois de sua morte. A formulação de discurso cheio de polissemias discursivas lançando símbolos sobre as mulheres paraibanas. Podemos citar a militante Analice Caldas uma das fundadoras da Associação para o progresso feminino na Paraíba. Essas mulheres saiam às ruas em defesa da Aliança Liberal, seus discursos exaltavam o ideário de autonomia e combatividade do movimento que é fortalecido com a presença feminina, reaparecendo a imagem da mulher guerreira, viril e forte, na defesa de sua terra. 






REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ABRANTES, Alômia da Silva. Paraíba, mulher-macho: Tessituras de gênero, (desa)fios da                   História (Paraíba, século XX). Recife: Tese apresentada ao curso de pós- graduação da Universidade Federal de Pernambuco, 2008.
ABRANTES, Alômia. NETO, Martinho Guedes dos Santos. Outras histórias: cultura e poder na Paraíba (1889-1930). João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2010.



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