quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A INFLUÊNCIA DE PARIS PARA A MODERNIDADE PARAHYBANA.



     Durante o século XIX a Europa passou a ser palco de uma série de transformações, que se deram, em grande medida, em virtude maior crescimento do setor industrial. Em consequência desse crescimento, as massas populacionais passaram a migrar dos campos para as cidades, tornando-as cada vez mais populosas. Nesse contexto, surgem novas estruturas urbanísticas, traduzidas em modificações na infra-estrutura das cidades, trazendo, assim, o conceito de cidade moderna. Exemplo claro disso é a Paris haussmanniana, que entre os anos 1853 e 1870 passou por uma série de transformações, refletidas em ruas alargadas, retificadas, saneamento básico, serviço de esgoto, iluminação pública, dentre várias outras reformas. Desse modo, a capital francesa passa a servir de modelo no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Assim, podemos entender de forma clara qual foi a influência de Paris no processo de modernização da Paraíba.


   A partir de fins do século XIX e inícios do século XX, várias cidades brasileiras passam a sofrer uma série de reforma urbanas, como é exemplo do Rio de Janeiro, em consequência da política reformadora de Pereira Passos. Na Paraíba não foi diferente. A partir de 1936, a cidade de Campina Grande, através do prefeito Vergniaud Wanderley, começa a sofrer as primeiras modificações no seu aspecto físico. Apoiado pelo discurso de higienistas e sanitaristas, bem como movido pelo ideário de civilização e progresso “importado” da Europa, Vergniaud começa a retificar, calçar e alargar ruas, ajardinar praças, instalar telefones automáticos, enfim, uma série de mudanças que confeririam a Campina Grande elementos necessários à vida numa cidade grande e moderna. A intenção era dotar o espaço urbano de beleza, fluidez e monumentalidade. Assim, elementos que eram considerados “feiosos” eram eliminados, o que provocou, dentre várias medidas, a demolição de cortiços, desapropriação de casas e prédios, etc.


 1946 - Av. Guedes Pereira (João Pessoa) Fonte: Portal
                    da cidade de João Pessoa. 



   Para melhor exemplificar, podemos citar o Decreto municipal n 51, de 17 de janeiro de 1935 que, uma vez seguindo os preceitos da “nova estética urbana”, determinava que as calçadas das ruas centrais deveriam ser todas mosaicadas e que as construções assobradadas teriam que possuir mais de um pavimento. Outro exemplo é a construção do Grande Hotel, em 1942, que simbolizava os anseios estéticos inspirados na arquitetura moderna.

  Portanto, pode-se dizer que os ideários de uma “cidade espetáculo”, oriundos da Paris de Haussmann, influenciou bastante as reformas urbanas ocorridas no Brasil, em especial na Paraíba, no sentido de que muitas cidades passaram a ser construídas, ou reconstruídas, sob a égide dos ideais de civilização e progresso. Assim, as cidades paraibanas, a exemplo de Campina Grande e João Pessoa, passaram a ter suas estruturas físicas marcadas pela padronização arquitetônica e pelo embelezamento e geometrização do espaço urbano.

1939 - Paraíba Palace Hotel (João Pessoa). Fonte: Portal da cidade de João Pessoa. 


 1936 - construção do Grande Hotel na cidade de Campina Grande, iniciada pelo prefeito Vergniaud Wanderley. Fonte: Retalhos Históricos de Campina Grande. 

  

Imagem do Grande Hotel (CG) (inaugurado em 19 de abril de 1942). Fonte: Retalhos Históricos de Campina Grande. 

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