domingo, 14 de outubro de 2012

SESSÃO: OFICINAS E BLOG'S




1º Grupo. “Corpos Hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924).”

    As apresentações dos blogs foram iniciadas no dia 16 de maio de 2012, pela equipe composta por Alisson Felinto, Greydson, Helayne, Maria Luísa e Suleyman.  O grupo teve como base norteadora da discussão a dissertação “Corpos Hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924)”, de Azemar dos Santos Júnior Soares. Trouxeram a temática expondo os pontos principais da dissertação, especialmente tratando do tema da higienização na Paraíba, os desdobramentos e suas ligações com os discursos de modernidade e urbanização da época, especialmente tratando das suas ligações com esse contexto histórico, demonstrando ainda como os cuidados com a higiene dos corpos e os discursos normalizadores, que propagandeavam a necessidade de manter os corpos limpos e higienizados.  

Referência:

SOARES JÚNIOR, Azemar dos Santos. Corpos hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924). João Pessoa, 2011.




2º Grupo. “(Des)alinhando alguns fios da modernidade pedagógica: um estudo sobre as práticas discursivas em torno da educação infantil em Campina Grande-PB (1919-1945).”

Seguindo consecutivamente no dia 16 de maio de 2012, a segunda oficina composta pelos alunos, André Ricardo, Alisson Felinto e Cláudio, trouxeram a exposição parcial do blog que teve como texto principal para apoio a dissertação “(Des)alinhando alguns fios da modernidade pedagógica: um estudo sobre as práticas discursivas em torno da educação infantil  em Campina Grande – PB (1919-1945)”. Foram tratadas na discussão e exposição as ideias centrais do texto, tratando de acordo com a autora do texto Paloma Porto, da construção de uma educação pedagógica e pedagogizante através da analise do ponto de vista do discurso que são empreendidos no período histórico de 1919-1945, que pretendeu transformar a cidade de campina grande e enquadrá-la nos moldes modernos,  em torno da educação infantil.

Referência:

SILVA, Paloma Porto. (Des)alinhando alguns fios da modernidade pedagógica: um estudo sobre as práticas discursivas em torno da educação infantil em Campina Grande-PB (1919-1945). João Pessoa: UFPB, 2010, p. 16-73.










3º Grupo.

No dia 28 de setembro de 2012 os alunos: Emanoela Maracajá, Sheilla Barreto, Endryws Felipe, Rodolfo Almeida, Darlan Macêdo e Fabíola Fernandes compuseram o grupo referente ao terceiro blogfólio.  Inicialmente os integrantes apresentaram os textos “Anatomia feminina: o corpo vivo de Anayde Beiriz” e “ Escritas e inscritas, Mulheres na imprensa dos anos de 1920”, sendo o primeiro do historiador Iranilson Buriti, e o segundo da também historiadora Alômia Abrantes. Posteriormente, fizeram algumas considerações gerais e expuseram alguns fragmentos do que foi planejado para o blog, no entanto por problemas ligados a conexão com a internet não foi possível exibir o blog em seu resultado final, o que foi feito na aula posterior.



Referência:

BURITI, Iranilson. Anatomia feminina: o corpo vivo de Anayde Beiriz. João Pessoa: UFPB 2012.
ABRANTES, Alômia. Escritas e inscritas. Mulheres na imprensa dos anos 1920. In: ABRANTES &

GUEDES. Outras histórias: cultura e poder na Paraíba (1889-1930). João Pessoa: Edufpb, 2010. P. 115-134.




4º Grupo

Apresentação da nossa equipe no dia 03 de Outubro de 2012.

Referência.

ABRANTES, Alômia. Anayde Beiriz e a (re)invenção da “Mulher-macho. In: ABRANTES, Alômia. Paraíba, Mulher Macho: tessituras de gênero, (desa)fios da História. (Paraíba, século XX). Recife: UFPE, 2008, pp. 14-114.



5º Grupo.

Também no dia 03 de Outubro de 2012, o segundo grupo do dia composto por: Anderson, Andréa, Alba, Jucineide, Luana, Diogo e Osmael, apresentaram algumas questões que trataram e tratariam na finalização do blog, expondo de forma sintética mais bastante eficiente a ideia central do texto proposto para base na produção do referido blog. Embora algumas atividades propostas para elaboração do blog não haviam sido finalizadas. Trabalhando alguns capítulos do trabalho de Alômia Abrantes “Paraíba, Mulher Macho: tessituras de gênero, (desa)fios da História. (Paraíba, século XX)”. Especialmente o capitulo “Paraíba, masculina: honra e virilidade na revolução”, onde a autora trabalha com a ideia da construção de uma identidade que liga as mulheres paraibanas com a ideia de “mulher-macho” e como essa ideia foi construída e retificada a partir da música ou da literatura.

Referência:

ABRANTES, Alômia. Paraíba, Mulher Macho: tessituras de gênero, (desa)fios da História. (Paraíba, século XX). Recife: UFPE, 2008, p. 115-124.








6º Grupo.



Foi apresentado no dia 5 de Outubro pela equipe formada por: Breno Amorim, Roberta Gerciane, Edinete Rodrigues, Ricardo Bruno, Marcos Saulo e Priscila Gusmão o blog “Cenas da modernidade parahybana”. Inicialmente foi apresentada a turma o texto base escolhido pelo professor para o trabalho do grupo, intitulado “O Teatro de Lourdes Ramalho e a Invenção da autoria nordestina” dissertação de mestrado de Vanusa Sousa Silva. A autora foi apresentada a turma, Vanusa Sousa é graduada em Comunicação Social pela UEPB e em História pela UFCG, com mestrado em Sociologia pela UFCG e com doutorado em andamento pela UFPE, atualmente é professora do Departamento de História e Geografia da UEPB. Logo após foram traçados alguns comentários centrais da dissertação, que tem como ideia central a pesquisa e o estudo das obras da dramaturga Lourdes Ramalho, e os discursos construídos em suas obras sobre o lugar da autora.  Em seguida o grupo passo a passo foi apresentando a turma à forma como foi pensando o blog, os objetivos principais na escolha técnica e do design da página na wep e as facilidades do mesmo para os que pretendessem acessa-lo.



Referência:



SILVA, Vanusa Souza. O teatro de Lourdes Ramalho e a Invenção da Autoria Nordestina. Dissertação (mestrado em sociologia) - UFCG, Campina Grande, 2006.



 

sábado, 13 de outubro de 2012

A MODERNIDADE PARAHYBANA EM CORDEL








Ofuscados pela modernidade

Emanadas da cidade

Fotógrafos e artistas

Com nova sensibilidade

Expressavam sentimentos

Diante da realidade



Os símbolos modernos

A fotografia representou

Os momentos eternos

Nem o tempo apagou

Ficou gravada a memória

De um tempo que passou



Walfredo Rodrigues

Tem guardado um tesouro

De sua câmera vários cliques

Que valem mais que ouro

A memória urbana registrada

Da Cidade da Parahyba

Em tempos vindouros







A vida cotidiana

Modificou-se bastante

E a saudade do passado

Atormentava todo instante

Mas olhar para o futuro

Era algo instigante



Coriolano de Medeiros

Lembrava-se seu tempo de criança

Os cheiros, sons e emoções

Remetem a infância

Nos espaços e lugares

De extrema significância



O cotidiano nem sempre era singelo

A ordem e higiene das cidades

Rompiam com o belo

E problemas sociais

Emergiam com um elo

Entre a cidade velha

E a nova do progresso








Entre sobrados e ladeiras

Desenhava-se a cidade da Parahyba

Nos comércios e empresas

Os pilares que arriba

Desenvolver a economia

Foi um projeto de valia



Mosteiros, palácios e casarões

Destacavam-se no cenário

E nas fotografias foram retratados

Os pobres não eram representados

Apenas a classe dominante

Ocupava esse cenário



Na linha reta e nos coretos

Contornavam-se as praças

Oriundos de projetos

Na Europa inspiradas

A Paraíba se modificava

Numa trajetória inacabada








Os monumentos suntuosos

De bela arquitetura

Projetos ambiciosos

Expressam as posturas

De governantes desejosos

De lançar candidatura



As ruelas pequenas

Deram lugar ás avenidas

Facilitaram o caminhar

De quem vivia ás escondidas

Modificando o traçado

Dos passeios e saídas



Em Campina Grande

A modernidade avançava

Com a chegada do trem

O comércio decolava

E o crescimento econômico

Grandes passos davam








A rainha da Borborema

Ficou iluminada

E as noites de garoa

Tornou-se animada

Alegria e diversão

Que ia até a madrugada



Espetáculos teatrais

Podiam ser assistidos

E no teatro Apollo

Isso era possível

Um local especial

Para obter risos



Os prédios antigos ruíram

Com a política de um prefeito

O seu nome era Verniaud Wanderley

Que se achava no direito

De implantar mudanças

Atingindo os sujeitos









O centro da cidade

ganhava novo rosto

O estilo Decor edificado

logo foi imposto

E as formas retilíneas

Na arquitetura tomou gosto



As crianças de rua

Ocupavam as calçadas

A feiura e a beleza

Ambas contrastavam

Nas imagens em Campina

De pobreza enraizada



Essa é uma breve história

Sobre a Paraíba moderna

Lembradas por sua memória

e beleza eterna

Cidade da Parahyba e Campina Grande

Simples e terna

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

RESENHA CRÍTICA

PARAÍBA, MULHER MACHO, TESSITURAS DE GÊNERO, (DESA)FIOS DA HISTÓRIA. 



Alômia Abrantes é Doutora em História, professora adjunta do Departamento de História da Universidade Estadual da Paraíba.Interessa-se, especialmente, pelas análises que envolvem imprensa e imagem. 
Em Anayde Beiriz e a (re)invenção da “Mulher-macho”, primeiro capítulo de Paraíba, Mulher Macho: tessituras de gênero, (desa)fios da História, (Paraíba, século XX), tese apresentada em 2008 ao Curso de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor(a), Alômia Abrantes se propõe a analisar as produções discursivas, tais como músicas e filmes, que de um modo ou de outro tornaram possível a emergência, no decorrer do século XX, da ideia, ou imagem, da “Paraíba, Mulher Macho” como sendo formadora de uma identidade com o Estado e mulheres da Paraíba. Segundo a própria autora seu texto consiste numa “operação narrativa que coloca em cena embates em torno da história, enquanto lócus constituído e constituinte de lugares e imagens de gênero.” (ABRANTES, 2008, p 7) . Assim, temos um destaque à figura de Anayde Beiriz, poetiza e professora paraibana que viveu no início do século XX e que é símbolo dessa expressão “Paraíba, Mulher Macho”. Isso se deve, em grande medida, em virtude da produção de um filme, nos anos 80, com o mesmo título, que narra a vida dessa personalidade.
            De início a autora nos coloca a música Paraíba, composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, de 1950, como sendo uma produção que “marca” a mulher paraibana como “macho”, sendo alvo de muitas críticas ainda hoje. A música se insere num contexto de disputas políticas no Estado, momento de maior visibilidade de sua política. Desse modo, nos diz a autora que isso remete à projeção de signos, que colam, mais intensamente na região e nas mulheres nela nascidas, as marcas da honra, da combatividade e resistência. Ou seja, a mulher paraibana é descrita como guerreira, cheia de coragem, capaz de enfrentar inúmeros problemas como, por exemplo, as grandes secas. Daí a denominação “Paraíba, Mulher Macho”.
            Inspirada na teoria foucaultiana da noção de arqueologia, segunda a qual o saber é domínio privilegiado, Alômia diz que tratar de gênero é pensar em como os espaços masculinos e femininos foram instituídos histórico e culturalmente em diferentes épocas e sociedades. Ademais, é pensar não apenas nos lugares, mas nas subjetivações, nas sujeições que permitem a identificação das pessoas como homens ou mulheres.
            A partir da leitura do texto percebemos que Alômia faz alguns recortes de imagens que entraram em evidência nas últimas décadas do século XX, sobretudo os anos 1980. Assim, ela nos mostra que nesse contexto o cinema, a literatura, a imprensa e a historiografia, passam a investir numa nova encarnação do conceito “mulher-macho”. Ao tratar do filme Paraíba, Mulher Macho, dirigido por Tizuka Yamazaki ela diz que a figura de Anayde Beiriz, uma vez tendo vivido no início do século e morrido em condições dramáticas, além de ser conhecida pela sua postura de vanguarda, por defender direitos para as mulheres e agir na contramão dos ideais normativos da conduta feminina, é redimensionada e tecida ao sabor de novos valores, que vêm se chocar com as visões mais tradicionais da intelectualidade e da política no Estado.
Segundo a autora, o filme dirigido por Tizuka Yamazaki, produzido ainda durante a ditadura militar, é considerado para a época um marco que representa a retomada do cinema brasileiro após longos anos de forte censura. Assim como a música de Luíz Gonzaga, o filme é uma produção que traz à tona a memória dos acontecimentos de 1930 na Paraíba. Entretanto, sua narrativa é um tanto quanto diferente, pois é feita a partir da vida de uma mulher considerada ousada para a sua época, a professora e escritora Anayde Beiriz.
Anayde é tida no filme como sendo personagem principal, mostrada como ocupante de lugares considerados culturalmente como sendo próprios para o masculino da época. Diante disso, do fato de essa mulher ter uma imagem produzida no sentido de aumentar a associação da identidade da mulher e do Estado com a “mulher-macho”, começam a surgir uma série de inquietações e angústias, intensificando o debate sobre os acontecimentos da revolução de 30. Debate esse que dá mais visibilidade a outros signos políticos, principalmente os que instituem e legitimam lugares fixos para homens e mulheres. Assim sendo, Alômia utiliza-se da narrativa do filme para trazer à tona as questões que tornaram possível a intenção de colocar Anayde Beiriz como ícone de um movimento que sua época começava a experimentar. Será, portanto, colocada como “mártir” de uma disputa política na qual não existem evidências de sua participação direta. É tida, também, como heroína de uma revolução dos costumes, como um corpo marcado pela ambivalência de ser um duplo, de ser uma “mulher-macho”. Assim, sendo intensamente inscrita na (re)afirmação de uma imagem identitária, que ao longo do tempo tornou-se um corpo espacial, uma paisagem, a da própria Paraíba.
Vale salientar, contudo, que para muitos historiadores Anayde não é tida como um personagem político. Ela relacionou-se com um homem influente da política paraibana, e só. A título de exemplo a autora cita José Otávio de Arruda e Mello que de acordo com suas pesquisas concluiu que Anayde Beiriz teve pouca, ou quase nenhuma significância, para a revolução de 1930. Ela teria ocupado uma “lateralidade”, o que não permite que ela seja considerada uma personagem política. A justificativa para essa afirmativa seria o fato de na extensa massa documental sobre o movimento não se encontrar quase nada sobre ela.
Interessante, ainda, é fato de a autora olhar o filme dirigido por Tizuka Yamazaki como uma possibilidade de pensar Anayde Beiriz enquanto corpo. Para ela, o primeiro indício disso é o fato de que no cartaz do filme, mais especificamente no logotipo do título, o “M” da palavra “macho” é justamente desenhado como sendo as pernas abertas de uma mulher, supostamente deitada. Aberta para o olhar que a contempla, insinua um convite para uma intimidade ou, ainda, uma publicização da intimidade. Um convite ao corpo que “encarna” a transgressora, a “mulher-macho”, que é tatuada na pele imortalizada da professora. Ela diz:

Em praticamente todas as cenas do filme temos uma Anayde Beiriz corpórea, no sentido em que expressa e procura saciar impulsos e desejos, que lhe parecem prementes, com uma força instintiva, como que livre de dilemas, de apelos morais e hesitações que seriam comuns à sua época. A personagem se entrega a dança, se declara nos poemas que declama, junta-se aos homens e, sobretudo, ama com uma avidez considerada extrema pelos outros que personificam seu tempo. É uma personagem que ri sem discrição e o seu riso parece soar como gritos inconvenientes, como sinal de uma natureza indomada. Numa certa percepção, é como se não “filtrasse” os impulsos e as necessidades corpóreas. Ela sente e, com intensidade, age no fluxo das suas emoções. Neste sentido, na tela, pode-se dizer que ela “queima” (ABRANTES, 2008, p. 33).

            No último sub-item do capítulo, intitulado Anayde e a “encarnação” da verdade (ou quantas vidas pode um corpo que não morreu?), Alômia suscita uma discussão acerca de diferentes vertentes que tratam do que seria e do que não seria verdade em se tratando da figura de Anayde Beiriz. Assim, nos é mostrado, de um lado, o livro João Dantas e Anayde Beiriz: Vidas diferentes, Destinos desiguais, escrito por Maria de Lurdes Luna, e de outro, o artigo Remexendo na História: O “Assanhamento” de Anayde, de Augusto Magalhães. Segundo a autora o livro de Lurdes é uma obra que em certa medida tenta fazer uma defesa de Anayde, discordando de escritos de José Joffily e do filme dirigido por Tizuka Yamazaki, que a colocam enquanto uma mulher assanhada e dotada de comportamentos incomuns à sua época. Já o artigo de Magalhães traz justamente o contrário, vem no intuito de mostrar que ocultar “verdades”, como a existência de cartas amorosas entre João Dantas e Anayde, seria o mesmo que “assassinar” a história da Paraíba. Desse modo, fica claro que há, ainda nos dias atuais, muitas divergências quando o assunto é a história dessa professora paraibana.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ABRANTES, Alômia. Anayde Beiriz e a (re)invenção da “Mulher-macho. In: ABRANTES, Alômia. Paraíba, Mulher Macho: tessituras de gênero, (desa)fios da História. (Paraíba, século XX). Recife: UFPE, 2008, pp. 14-114.